East of Eden



O português chamou East of Eden, se não me engano de Vidas amargas. O filme de Elia Kazan, a quem já dediquei amargas linhas, é fenomenal. Um novelão da mais alta qualidade. Também não é para menos. O filme é baseado no livro de Steinbeck, A Leste do Eden. Um filme de espírito bem protestante e uma ética do capitalismo manca de uma perna.

Ambientado na região de Monterey, Califórnia, o filme mostra as desavenças de dois irmãos pelo afeto e a atenção de um pai sentimental e hard worker. Os Trask são uma família pecliar composta pelo pai - Adam Trask (Raymond Massey) - e os dois filhos, Aaron (Richard Davalos) e Cal – Caleb - ( James Dean). Adam é um homem religioso e profundamente justo com seus empregados e com os filhos. Aaron é o filho predileto que a exemplo do pai pauta sua vida na devoção fraternal e no senso de resposabilidade herdado do pai.

Os negócios de Adam Trask não vão bem. Após a perda de toda uma colheita numa fracassada tentativa de escoamento, o patriarca perde milhares de dólares. Para ganhar o amor de seu pai e ajudar a fazenda que ameaçada de falir, Cal faz um empréstimo. Cal, um tipo sagaz e meio selvagem, sabe que se os Estados Unidos entrassem na I Guerra Mundial, o preço do feijão subiria. Então, conhecedor de um segredo, que nem pai sem irmão sabiam, Cal procura a mãe, Kate, em seu trabalho. Perdão pelo trocadilho, mas Kate é quenga. Quenga velha. Dona do pedaço, a meretriz e tem o dinheiro que Cal precisa para investir nos mercado de futuros. Apesar de relutante Kate dá, a grana a Cal, pois se sente culpada de ter deixado o marido e os filhos para se tornar empresária.

No meio tempo em que os negócios de Cal vão bem, Abra, namorada de Aaron, começa a se sentir atraída por Cal e o ajuda a preparar uma festa de aniversário para o patriarca. O presente de aniversário é exatamente o pacote de dinheiro que Cal ganhou especulando na bolsa.

E agora uma das cenas entre muitas caras, mais marcantes do cinema. Após Cal explicar a origem do dinheiro, o pai se recusa a recebê-lo justificando que aquele dinheiro havia sido ganho em cima da desgraça de trabalhadores e produtores como ele. Cal não entende e começa a chorar acreditando que esta recusa é mais uma das humilhações que o pai lhe impõe por seu temperamento irascível. James Dean simplesmente mata a pau nessa interpretação. Uma daquelas cenas onde se tem a certeza que aquele cidadão é um grande ator.

O que se segue, é novelão. Cal vai chorar no quintal. Abra o segue e o consola. Quando Aaron chega e a proíbe de falar com Cal, este, tomado de ira, pede que Aaron o siga. Ambos vão ao bordel, onde Cal apresenta a Aaron sua mãe. O choque leva Aaron a beber e se alistar no exército. O pai, vendo a ruína iminente do filho, tem um ataque cardíaco. De volta a casa, Cal visita o pai no seu quarto. Cal, sem obter reação do pai, pensa que é mais uma vez recusado, mas logo em seguida, com a intervenção de Abra, volta ao quarto e consegue ouvir as palavras do pai pedindo para que o filho dispensasse a enfermeira intransigente e cuidasse dele. Um novelão bíblico sim, mas um filme emocionante.

Musica do dia: Lucas - Marco Antonio Araujo(Melhor guitarrista brasileiro de todos os tempos)

2 comentários:

Unknown disse...

Lucas, Marco Antônio Araújo, cadê meu cd?

ilusão da semelhança disse...

Bill, voce eh um camarada que guarda muitos rancores nesse teu coracao. Esse cd ja me pertence ha mais de 10 anos, e voce ainda com esse papo de que o cd eh teu.
Viremos esta pagina. Esses sentimentos sao ruins, para a nossa amizade.

Beijo no Davi. Chico