Só um lembrete, a história corrige a direção do silêncio, não esse o silêncio da ausência de ruído, mas o da mudez do silêncio feito de vibrações que se anulam umas as outras como quando da balbúrdia de gente nos ecos de um refeitório, onde apenas reparamos nas bocas que movem-se como aquelas dos tumultos íntimos dos mímicos, por esse mesmo silêncio pergunto, que espécie de perstígio podem exercer sobre nós túrbidos homens como o udenista Auro Moura, 46 anos atrás?
Não espanta em nada a satisfação do udenista Auro Moura ao declarar vaga a cadeira da Presidência da República, vindo de quem vem, logo ele, um homem que ainda jovem participa da rebelião de 32 e que mais tarde seria um dos organizadores da TFP, e que mais tarde ainda, quando o esmalte dos números do relógio que contava seu tempo já descascara, e quando os milicos já se sentiam confortáveis baixando o sarrafo na malta de comunistas, esquerdistas, sociedade civil & afins, ironicamente, quando ainda o relógio continuava movendo os ponteiros num tempo quando os esmalte dos números
descascados já não importava, os próprios imerecidos militares trataram de jogá-lo merecidamente para escanteio primeiro como embaixador na Espanha de Franco e mais tarde como aspone no Bando de Desenvolvimento de São Paulo. Ou seja, existem lugares onde ser golpista dá certo historicamente.
Quinta-feira, Abril 01, 2010
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2 comentários:
Texto de estética aprazível, cujas palavras me fizeram imaginar a face do elemento citado - batamos antes 3 vezes na madeira. Momento muito oportuno rememorar esse dissabor. Momento, oxalá, agora espectral em nossa História. Reafirmo meu otimismo.
Tarcisio, voce eh sempre gentil. Logico que estou feliz por vivermos numa democracia, evidentemente, mas apenas nao consigo compartilhar desse otimismo todo pelos dias atuais.
A pedidos do amigo retirei o narrador luso. Realmente, voce tinha razao, nao sentiremos falta dele.
Abraco grande Chico.
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